Plasma ou LCD?
Cada vez mais baratas e muito mais acessíveis
graças à facilidade de financiamento,
as novas TVs de alta definição são,
ao mesmo tempo, uma alegria e um dilema. Qual será
a melhor tecnologia de telas? Plasma ou LCD, eis a
questão.
José Ouro Camargo
Entre em qualquer loja de eletrônicos e você
perderá a conta de quantas TVs de alta definição
estão em exposição. Finas,
enormes e com imagem linda, elas são atualmente
o sonho de consumo de boa parte da população.
Mas na hora da compra surge a dúvida: “TV
de plasma ou LCD?”. Lado a lado, é
duro enxergar a diferença entre as tecnologias.
Ambas tem pontos fortes e fracos, mas o principal
fator que deve orientar sua escolha é o que
você quer assistir nelas e onde a tela será
instalada.
Entendendo as tecnologias
Por incrível que pareça, aquela TV
LCD linda com tela “Full HD” de 40 polegadas
funciona baseada no mesmo princípio que a
telinha daquela calculadora que está pegando
poeira no fundo da sua gaveta. A base de tudo é
um material especial chamado cristal líquido,
que fica opaco ou translúcido de acordo com
uma corrente elétrica aplicada sobre ele.
Cada ponto na tela é formado por três
células lacradas cheias desse material, cada
uma correspondente a uma cor primária de
luz (vermelho, verde e azul). Uma lâmpada,
instalada atrás da tela, gera luz branca
que ilumina as células e torna a imagem visível.
As cores são formadas combinando múltiplas
intensidades de cada uma das cores primárias.
Nas TVs LCD de última geração,
a iluminação da tela é feita
com LEDs (diodos emissores de luz), que consomem
menos energia, geram menos calor e produzem uma
luz mais branca e homogênea, que se traduz
em uma imagem melhor.
Já as TVs de plasma operam baseadas em um
princípio diferente, que parece coisa de
ficção científica. As células
que compõem a tela são cheias de um
gás nobre, como neônio (também
chamado neon) ou xenônio, que é submetido
a uma descarga elétrica e se transforma em
plasma, o quarto estado da matéria.
Este processo libera fótons (luz), que colidem
com uma camada de fósforo na frente da célula,
fazendo-a brilhar. Assim como nas telas de LCD,
cada ponto da imagem é composto por três
células, cada uma coberta com fósforo
de uma cor diferente (vermelho, verde e azul).
Novamente, a combinação de cada uma
das cores básicas em intensidades variadas
gera todos os tons necessários para produzir
a imagem. Como cada célula produz sua própria
luz, não é necessário uma lâmpada
para iluminar a tela, como nos LCDs. Isto também
resulta em uma iluminação mais homogênea
da imagem.
As vantagens...
No quesito vantagens, Plasma e LCD se comportam
quase como opostos. Uma é boa em ambientes
escuros, outra se sai melhor em iluminados. Uma
se dá bem com cenas em movimento, a outra
prefere cenas escuras, e por aí vai.
Telas de LCD, por exemplo, são melhores
que as de plasma em salas iluminadas, já
que o revestimento destas últimas pode refletir
muita luz ambiente, como a vinda de uma janela sem
cortinas, o que prejudica a visualização.
Também são mais recomendadas se você
gosta de games antigos, ou pretende ligar a TV no
PC. Objetos estáticos na imagem, como placares,
barras de tarefas e menus, “manchavam”
a tela em TVs de plasma mais antigas. Com o refinamento
do processo de produção, a chance
disso acontecer em um modelo mais moderno é
mínima, mas o LCD continua a ser recomendado
nestes casos.
LCDs também são uma melhor opção
para ambientes pequenos. Devido a peculiaridades
no processo de produção, os fabricantes
preferem usar telas de plasma em modelos maiores,
e telas muito grandes podem causar cansaço
visual se não forem vistas de uma distância
adequada. LCDs estão facilmente disponíveis
em modelos menores, com telas a partir de 19 polegadas.
Por sua vez, TVs de plasma são melhores
em salas escuras, pois oferecem fidelidade de cores
e contraste muito maior que suas concorrentes, algo
que é especialmente importante em cenas escuras:
o preto é realmente preto, e não um
“preto acinzentado” como nos modelos
de LCD. Isto as torna uma boa escolha para quem
não dispensa um cinema em casa.
Também são recomendadas para quem
curte esportes (como futebol ou Fórmula 1)
e games modernos, já que exibem melhor os
detalhes em cenas movimentadas. Isto é conhecido
como “resolução dinâmica”,
e é um item pouco divugado pelos fabricantes.
Além disso, são perfeitas para ambientes
amplos já que, como foi dito, são
mais fáceis e baratas de produzir em tamanhos
maiores. Atualmente telas de plasma são muito
populares em TVs de 52 polegadas ou mais. A Panasonic
mostrou na CES 2008, no início do ano, uma
TV com uma tela de Plasma de 150 polegadas.
... e as desvantagens
Nenhuma tecnologia é perfeita. Se você
perguntar a um vendedor qual o defeito de uma plasma
ou LCD e ele disser “nenhum”, saia correndo
porque ele está mentindo. Telas LCD, por
exemplo, não ficam boas em locais escuros,
pois a iluminação da tela pode deixar
o contraste lavado, com tons escuros (especialmente
o preto) acinzentados. As telas de última
geração não apresentam esse
problema.
Além disso, apenas as caríssimas
telas de última geração, com
atualização da imagem em 120 ou 180
Hz exibem movimento fluido em cenas de ação,
ainda assim com menos fidelidade que as telas de
plasma. Por fim, em relação à
concorrência as telas LCD são muito
mais frágeis, e sujeitas a danos se sofrerem
impacto frontal.
O plasma também tem seus incômodos.
Telas mais antigas podiam literalmente “pipocar”,
fazendo pequenos estalos que incomodavam ou assustavam.
Modelos mais recentes não apresentam este
problema.
A resolução baixa é outro
problema??Ainda existem telas à venda no
mercado TVs de plasma que não são
capazes de exibir 720 linhas horizontais. Fuja delas,
pois estas telas não podem ser consideradas
como de “alta resolução”
e apresentam baixa qualidade de imagem. Isto também
acontece entre os modelos LCD mais baratos.
O ideal é comprar uma verdadeira tela “HD”,
capaz de exibir 720 linhas horizontais simultâneas.
Isto às vezes é informado da mesma
forma que a resolução da tela do computador,
no caso 1280 x 720 pontos (ou pixels). TVs “Full
HD” (das quais também há modelos
LCD) tem resolução ainda mais alta,
1920 x 1080 pontos, e exibem imagens ainda mais
detalhadas.
Mitos e mal-entendidos
Como toda tecnologia complexa, a falta de informação
e confusão de vendedores e consumidores dão
origem a uma série de mitos e mentiras que
acabam tomando vida própria. Dizem, por exemplo,
que as telas de LCD "vazam", o que não
é verdade. O “cristal líquido”
não é líquido como água,
é um composto denso que é selado em
pequenas células invioláveis. Da mesma
forma, o “gás” das TVs de Plasma
não precisa ser recarregado. A quantidade
de gás inerte nas telas é mínima,
e encapsulada pelas lâminas de vidro que formam
a tela. O gás jamais se desgasta, pois está
em um sistema fechado.
Telas “manchadas” por imagens estáticas
são verdade, mas coisa do passado. LCDs são
virtualmente imunes a este problema, que só
afetava os modelos mais antigos de telas de plasma.
Qualquer plasma produzida nos últimos cinco
anos tem chance mínima de ficar marcada,
e se isso acontecer a mancha pode desaparecer se
você deixar a TV desligada por algumas horas.
Outro mito é que TVs de plasma gastam energia
demais. Embora isso fosse verdade há alguns
anos, o consumo foi reduzido e hoje as telas gastam
quase o mesmo que as TVs de LCD de tamanho equivalente.
Claro, quanto maior a tela, maior o consumo de energia.
Você não precisa se preocupar com
durabilidade da sua nova TV. Tanto telas de plasma
quanto LCD tem uma vida útil medida em horas.
Em média, ambas garantem pelo menos 100.000
horas de bom desempenho. Ligadas ininterruptamente,
24 horas por dia, 365 dias por ano, isto representa
uma vida útil aproximada de 11 anos.
Por fim, mais pontos não necessariamente
significam mais qualidade. Nem sempre uma tela de
1080 linhas é melhor que uma de 720 linhas.
Vários fatores influenciam na qualidade,
como o constraste e a resolução dinâmica.
Aquela tela de 1080 linhas pode não passar
de um porta-retratos gigante de 2 megapixels.
Na loja, teste a tela com várias fontes
de sinal, de TV aberta analógica a videogames
de última geração. Não
confie apenas nos vídeos de demonstração
que os fabricantes passam. Eles são feitos
para mostrar o que a tela tem de melhor, mas é
apenas em situações reais de uso que
as fraquezas são evidentes. E sempre preste
atenção às imagens em movimento.
Como cuidar de sua TV?
• Não deixe nenhum tipo de líquido
(como condensação ou respingos) sobre
a tela, pois os eles podem causar descoloração
do material externo. Além da descoloração,
a televisão pode sofrer corrosão e
falhas elétricas
• Pó é letal à tela.
Não a deixe acumular pó, tanto na
parte superior (que normalmente conta com entradas
de ar, para resfriamento) quanto no revestimento
frontal da tela. ATENÇÃO! Jamais utilize
sua televisão coberta por panos ou capas.
A circulação de ar é fundamental
para o bom funcionamento
• A tela de LCD é delicada. Quedas
e impactos contra ela podem ser devastadores. Além
de afetar a qualidade da imagem, um impacto mais
forte pode inutilizar completamente o aparelho.
Um controle remoto ou de videogame arremessado com
força estraçalha facilmente uma tela
de LCD.
• O revestimento anti-reflexo das telas de
LCD pode ficar realmente sujo com o tempo. Para
limpá-lo, use apenas um pano macio levemente
umedecido em água limpa. Já existe
um pano especial no mercado, compostos de fibras
sintéticas, que é ideal para o serviço.
Se não tiver um à mão, use
um pedaço de microfibra, que não solta
fiapos e não agride a tela se for usado gentilmente.
• Telas de plasma, por mais resistentes que
sejam, também são suscetíveis
a riscos. Limpe apenas com um pano macio, ou pano
especial sintético, de preferência
microfibra, levemente umedecido em água limpa.
• Álcool e solventes, além de
produtos à base de derivados de petróleo,
como lustra-móveis, são letais para
seu equipamento. Além de agredir o acabamento
exterior da tela, eles podem afetar a aderência
das camadas que compõem o LCD, caso escorram
para dentro do revestimento externo.
• Proteja seu investimento: ligue sua televisão
a um estabilizador de voltagem, ou melhor ainda,
a um no-break. Apesar de contarem com proteção
interna, os televisores podem sofrer danos irreparáveis
se expostos a picos de tensão ou ruído
da rede elétrica. |